Tuesday, April 11, 2006

UM PASSEIO PELO JARDIM

Ando à roda no jardim à beira do mar sem medo de cair
A escarpa está ali
O velho corre castanho, cinzento com o sol quente, ardente e poente
Ao longe ardem as arvores incendiadas por todos nós
Agradável sensação de calor, errante retumbante
Todos precisam de figuras, ídolos, heróis, deuses e protectores
Eu não
Não quero nada que tenha que me agarrar quando tudo falhe
Posso sempre cuspir para a cara daquele desfigurado que ali passa
Já chega
Não posso mais, não consigo, já não aguento
Parem este carrossel que anda à volta sem parar estou quase a vomitar
Para cima seguem os pássaros
Para baixo as pedras atiradas do cimo do prédio sem saber quem passa
As ondas passam e seguem para a praia cheia de povo
Não quero
Multidão imunda de alma não sabem o que os espera
No fundo tudo se sabe
Apenas custa ter de enfrentar uma morte não anunciada
Aqui esta ela uma bela refeição servida na toalha de linho
Brilho prateado do garfo e faca encandeia e ofusca o prazer desta carne
Carne
Vermelha como o fogo que consome tudo
Fogo
Arde
Queima
Ofusca
Cintila
Cinza
Morreu
Acabou
Waga

Tuesday, April 04, 2006

CONSELHOS DE ESTADO


"As pessoas, tal como as empresas, devem trabalhar, não a pensar
nos lucros, mas sim em fazer bem.
Se assim for, o lucro será uma consequência natural"
Dias Loureiro In RCP, 04/o4/06

Sunday, April 02, 2006

OBRIGADO PESSOA


"Cheio de Deus não temo o que virá,
Pois venha o que vier,
Nunca será maior que a minh`alma"
EPC 2ºT98 CFO/CFS

SAPIÊNCIA


"Por mais negra que seja a noite,
Amanhã, com certeza, o Sol irá nascer."

TEMPESTADE DE HORRORES


Pânico que nos consome o espírito
Medo de tudo e de qualquer coisa
Receio real de estar em qualquer sitio
Demónio vermelho aqui não poisa!

Os céus negros abatem-se sobre a noite
Estranhos ruídos de bestas ao longe ecoam
Barulhos de cascos e de um açoite
Acorda! as realidades não magoam

Levanta-te e vê que nada pode ser
Não pode ser mais do que aquilo é
Já nada mais tens que temer
Só te resta acordar e pores-te em pé

Na vida as tempestades de horrores
Nada mais são que simples ilusões
Criadas e ditas pelos seus autores
Por forma a ocultarem frustrações

Na verdade azuis são o céu e o mar
Verdes continuam a ser os campos
O exagero já não consegue enganar
Os espíritos estão agora bem limpos

Já não se consegue parar este movimento
Tudo tem obrigatoriamente que continuar
Nem que se fique com o sentimento
Que já nada se pode mudar
Waga

Friday, March 10, 2006

FACE OCULTA


Ficha técnica:
Título: Face Oculta
Autor: João Magalhães
Data: 2006
Técnica: Técnica mista sobre tela
Dimensões: 24x30
















Uma vez mais o génio de João Magalhães a presentear-nos com uma obra de sua autoria que surge na senda do movimento artístico, por ele iniciado, denominado de Mefismo.
Sobre este movimento que foge à vulgar concepção de arte pela pintura, impõem-se dizer que é o presente e futuro da pintura dos nossos dias. E, penso que não exagero quando o afirmo pois, em críticas que escrevi em tempos, antevi que este artista iria fazer escola e aí está a grande evidência: o Mefismo.
Estou, sinceramente, convencido que irão correr rios de tinta sobre este tema, contrariando todas as expectativas dos círculos críticos ditos iluminados quando, na verdade, vivem ainda "na noite de breu à procura...".
Quero citar o grande mestre João Magalhães que, em minha opinião, resume este inovador movimento a uma só frase: "Isto de pegar no pincel e pintar um quadro, qualquer um é capaz. Agora quando se trata de materializar espectros fantasmagóricos, aí a conversa já é outra...".
Não querendo extender mais o tema que daria certamente muito que falar, vamos concentrar-nos na obra em que, a simplicidade da forma associada a uma expressividade única são os ingredientes que fazem de "Face Oculta" um ícone da pintura mefista.
A face, a cor, o olhar, a expressão, o simbolismo, enfim, um mundo unificado criado à imagem do artista que busca incessantemente uma forma de assistir ao devir na primeira fila do teatro da vida, consegue-o através de "Face Oculta".
Pormenores de vanguarda tais como, o calor do fogo e da madeira, vistos numa perspectiva ora distorcida, ora claramente nítida, confundem e ao mesmo tempo clarificam todo um universo paralelo atingível apenas pelos que vêem com os olhos da alma.
Atrevo-me a dizer: "Face Oculta" é mais que um quadro, é O QUADRO.

Waga
Crítico de Arte

Sunday, March 05, 2006

NOITES URBANAS


Negra a noite que cai sobre esta cidade escura
Miséria, riqueza, contrastes necessários para se ter
Vê-se um movimento desconexo daqueles que por ali andam
Máquinas sujas deixam suas marcas no asfalto onde se arrastam
Luzes, cores, movimento, dinâmica ensurdecedora
Mendigos caem nas bermas envoltos na dita bondade daquele que lhe deu
Esconderijo secreto que todos conhecem
Acordem agora esses que vivem com os males dos outros
Amigos do alheio toca a bulir
Aqui é que tudo se passa
As noites da urbe são como um turbilhão ébrio de acontecimentos sem fim
Aqueles que dormem, aprisionados do mundo do sonho
Porque é isso mesmo!
Tudo não passa de um sonho
Waga

Friday, March 03, 2006

INQUIETUDES


Ficha técnica:
Título: Inquietudes
Autor: João Magalhães
Data: 2003
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 40x50
















"Inquietudes" trata-se de uma obra ímpar do seu autor que revela através de uma conjugação única de cores e formas, diversos estados de alma atingidos num plano transcendental com o objectivo de descobrir o caos no interior da ordem.
O observador perde-se frequentemente num labirinto, quase biónico, de cores vivas e mesmo infantis que deslumbram e em simultâneo chocam, criando assim uma simbiose entre aquele que observa e o próprio material.
É manifesta a tensão criada "Natureza Vs Homem" e "Céu Vs Terra" de tal forma que os sentidos entorpecem (quase hipnotico) e entra, assim, o observador numa verdadeira "Twighlight Zone" sendo o resultado horas e horas de prazer com o simples "olhar para o quadro".
João Magalhães é um ilustre pintor da cidade do Porto (Portugal) que desde cedo aprofundou, nesta, estudos sobre pintura, embora só em 2003 tenha decidido pôr em prática a sua imensa sabedoria nesta área para deleite de todos os verdadeiros apreciadores de arte, tendo-o efectivado através de "Inquietudes".
É, sem dúvida, um artista promissor que, em minha opinião de mero crítico de arte, irá em breve aparecer a par com grandes nomes pintura mundial pois, tem o potencial necessário para o efeito, embora seja ainda incompreendido em certos círculos críticos que vivem ainda mergulhados num sono dogmatico. Sou, no entanto, da opinião que este artista fará escola e o preço de seus quadros, provavelmente, disparará em flecha estando apenas ao alcance de poucos investidores em arte.

Waga
Crítico de Arte

Saturday, February 18, 2006

GRANDE GODINHO


A vida não vale nada
A morte vale ainda menos
Mas
Quando se trata da nossa vida
Vale aquilo que fazemos