Friday, February 10, 2006

GRITO MUDO


Uma voz ecoa na garganta que arde
Arde como se de um fogo se tratasse
Fogo que destroi de manhã à tarde
Sem que niguém com isso se importasse

Desespero do corpo arrasta a alma
Alma ferida pelo calor do fado
Inferno caótico sem paz nem calma
Miséria rica, fecunda e de bom grado

Que mais se pode fazer senão rir?
Senão sentar à espera da nossa hora
Ela há-de chegar sem se fazer sentir
E nessa altura só nos restará ir embora

Não quero sair deste filme sem fim
O mais completo e perfeito que vi
Comédia, drama, de tudo enfim
Posso ter chorado, importa é que vivi

Um grito mudo do peito aberto sai
Mas tudo fica por cá sempre igual
Foi rasgado pela faca que agora cai
Já não sei o que está bem ou mal

Mandai o barro ao tecto e á parede
Pode ser que cole e ninguém note
Os que julgam têm nos olhos uma rede
Só me resta lhes dar com um barrote

Vamos implantar um caos nesta terra
A ordem existente já não interessa
Vamos começar uma verdadeira guerra
Para tudo limpar, é a minha promessa

Waga

2 Comments:

Blogger Nuno Magalhães said...

Ah Fadista....
Já vi foi gajos mais bonitos...
continuação de boas divagações poéticas...

10:13 AM  
Blogger Tuxa Lopes Pinto said...

Temos poeta!!!!
Estou impressionada!!! E eu que pensava que o fado corria só nas veias dos mouros!....
Força!!!! Vou estar à coca!

P.S. - que tal uma foto tua, para a próxima??!!?

3:16 AM  

Post a Comment

<< Home